Sunday, August 12, 2001

REVIRAVOLTA AO AVESSO – EXTINTA U-TURN- POR PAULUS MAGNUS E MUTI RANDOLPH



Vocês lembram da extinta boate Via Paris??? Não é engraçado como nada dava certo naquele pedaço da Praça Portugal?
Pois bem...
Em São Paulo, o cantinho amaldiçoado é o da extinta U-turn. O lugar era um antigo restaurante. Não deu certo. Daí foi montada uma boate com a pretensão de ser a mais bem equipada do país. Não deu certo. A última cartada foi mudar toda a arquitetura do local. Nas mãos de Paulus Magnus e Muti Randolph ( Ele fez o novo cenário da MTV), a novíssima U-Turn mais parecia cenário de Barbarella. A fachada, simplérrima e bem resolvida...Os ambientes prateados...Segundo o arquiteto Paulus Magnus, os ambientes deveriam ser o mais neutro possível para que os grafismos de Muti Randolph tivessem destaque. Tudo muito conceitual, e para tudo eles tinham uma explicação:” O primeiro espaço, todo prateado, foi idealizado para "elevar os espíritos"; a pista, com muito colorido, foi criada para "libertar os espíritos"; e o local do fundo, no formato de um útero, tem a intenção de "aquecer os espíritos"- depoimento extraído do site ArcoWeb.




Muita inspiração em Verner Panton. Bom...eu gostei. Mas parece que muita gente não, e a casa, mais uma vez, afundou.
É BEM ALÍ, NA ESQUINA – NOVA LOJA IÓDICE – POR CARLOS ALEXANDRE DUMONT



Sempre que passo pela loja Iódice, no Shopping Iguatemi, não me canso em disparar elogios, principalmente pela maneira como a grife prima pela organização e limpeza da vitrine. Nessa semana, foram aplicados dois adesivos vermelhos, um na horizontal e outro na diagonal, para a semana dos pais. Solução simples, barata e esteticamente inovadora.O que chama a atenção, entretanto, é a inauguração da primeira loja de rua da grife, em São Paulo. O projeto, de autoria do arquiteto mineiro Carlos Dumont, já anuncia que,em breve, todas as lojas Iódice deverão passar por uma faxina total. Portanto, Janaina, prepare-se!!!
O arquiteto optou por uma leitura limpa, sem ornamentos.



A fachada se divide em planos, além de ser recuada. Dentro, o ambiente é totalmente asséptico, com algumas pinceladas de vermelho sangue ( Olha a próxima cor do verão...). Poltronas dos irmãos Campana ( a dupla fashion do design brasileiro) e pouquíssimas peças de roupas, numa atitude mais conceitual que comercial. Ponto pra ele, que dá uma lição de estética àqueles que acham que, para vender, tem que transformar sua loja num balcão de feira livre.

Saturday, August 11, 2001

AS 4 GRUTAS DE PARIS – RESTAURANT GEORGE – POR JAKOB + MACFARLANE



Uma vez, não lembro quando, ouvi alguém usar a expressão `Faltou chão`, se referindo a uma situação de extrema perplexidade e cuja sensação era exatamente essa: o corpo sem apoio.
Acho que experimentei isso naquela tarde fria, em Paris, quando me vi sem o chão sob os pés, ao entrar no Restaurant George, no Centre George Pompidou.
Tudo bem que o espaço era simplesmente fantástico, mas o conjunto de tudo que o envolvia era de uma simbiose que nunca tinha presenciado antes. A música que ecoava era uma house-music, francesa, de extremo bom gosto. Ao meu lado, o chapeleiro recolhia os casacos educadamente e, pasmem vocês, com um visual indiano e uma franja assimétrica caindo sobre os olhos, totalmente blasée. O restaurante, infelizmente lotado, só me foi permitido vislumbrar por alguns minutos, pois fui educadamente abordado por uma moça que me impediu de continuar meu passeio pelas mesas maravilhosamente arrumadas e desenhadas do local.
Todo aquele ambiente me despertou a curiosidade em descobrir quem seria a mente ( ou as mentes ) por detrás. Trata-se de Dominique Jakob, parisiense, formada em História da arte e arquitetura, pela Écolé d’Architecture Paris-Villemin, e Brendan Macfarlane, um Neo-zelandês, arquiteto pelo Instituto de arquitetura da Califórnia.
Esse projeto é fruto de um concurso internacional, e o negócio foi tão difícil de ser idealizado, que teve que mobilizar até a equipe do renomado arquiteto Renzo Piano para que o mesmo fosse realizado. Na época, Renzo era o responsável pelo projeto de revitalização do Centro George Pompidou.



Toda a estrutura interna ( esqueleto) foi cortada usando uma tecnologia de ponta que envolve jatos d’água comandados por computador. Depois de montada, essa estrutura recebeu as lâminas de aço que foram cortadas manualmente. Cada `gruta`( 04 ao todo ), tem uma cor distinta que serve para diferenciar as funções. Aliás, o Centro George Pompidou usa esse recurso para `descrever` sua carcaça e suas funções.Olha só algumas fotos da montagem...




Nada....Nada mesmo, entretanto, serve para descrever o que é ver isso pessoalmente.